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Como escolher um gateway de pagamento?


Venho acompanhando em grupos de desenvolvimento diversos questionamentos de desenvolvedores com relação a qual gateway de pagamento escolher. As respostas, na maioria das vezes, são tendenciosas. Sempre puxam para o mais fácil de integrar ou o que está na crista da onda.

Mas escolher um gateway de pagamento implica em muitos outros fatores e é sobre isso que falarei neste post.

O senso comum

Quando falamos de gateways de pagamento logo nos vem à cabeça alguns nomes, não vou mencionar nenhum aqui. Dentre eles um bem famoso que está em todas as mídias como TV, jornais e revistas. Ou aquele que tá na crista da onda por causa da facilidade de criar pagamentos recorrentes. Ainda aquele que é famosíssimo por facilitar a criação de market place, comissionar vendedores e afiliados, etc. E é com base nisso que vejo muitos desenvolvedores sugerirem o seu gateway favorito ao seu cliente, esquecendo do impacto que isso pode causar no negócio.

Faça um levantamento imparcial

Em projetos de meus clientes sempre questiono se ele(a) já possui algum gateway e mente. Caso não tenha, procuro entender qual é o negócio do cliente, em que estágio de operação ele está e quais são os planos de crescimento. Com base nisso, elenco de 3 a 4 gateways que mais se encaixam no perfil. Forneço detalhes como prazo de retirada, se permite antecipação, juros no parcelamento, taxa de boleto, taxa por transação, valor do setup, mensalidade, etc.

Envio o relatório ao cliente informando qual se destaca em cada um dos quesitos. Aí a escolha é dele(a).

Liberdade ao cliente

Se você é o dono do projeto, concordo em escolher o gateway de pagamento pela afinidade, no entanto se for para um cliente seu, a conversa é bem diferente.

A escolha do gateway incompatível com o modelo de negócio ou estágio do mesmo, pode comprometer seriamente a evolução.

Vamos imaginar um cenário hipotético?

Um e-commerce de materiais de artesanato cujo produtos tem muita variação de peso e dimensões. São produtos como telas, tintas, ferramentas, acessórios, etc. Agora sigamos com uma compra de 2 produtos ao valor total de R$69,90 mais uma taxa de entrega estimada em R$19,90.

O lojista já perde 5% padrão do gateway de pagamento mal escolhido pelo desenvolvedor (você). Por estar apenas no início das operações, o cliente precisa antecipar o recebimento para poder enviar os produtos ao cliente. Nisso já perde mais uns 3%. Apenas exemplificando, o lojista já deixou de ganhar 8% de R$89,80 (valor dos produtos + frete, que na real nem é seu dinheiro). Mais uma implicação negativa da fase em que seu negócio está é o cálculo de frete. Ele ainda não possui convênio com os Correios, logo, o valor válido do frete é o praticado no balcão.

Por um erro de dimensionamento da embalagem, o frete custou R$23,45 ao lojista, mas ele cobrou somente R$19,90 do cliente. Aí se vão mais R$3,55.

Resumo:

Total da compra: R$89,80
Descontos do gateway: R$7,19
Perda no valor do frete errado: R$3,55
Valor final no bolso do lojista: R$79,06

Nesta compra o lojista deixou de ganhar mais de R$10,00. Detalhe que é apenas uma compra, agora multiplique isso por algumas dezenas para ver a dificuldade que uma escolha errada de gateway de pagamento traz para o negócio. Sem contar ainda que o valor de R$19,90 cobrado pelo frete não é lucro, pois é destinado a um terceiro e ainda existem embalagens, etiquetas, custo de locomoção para postagem, uma vez que o lojista, como já mencionado, ainda não possui convênio com os Correios e ele mesmo ou alguém de sua equipe tem que despachar em uma agência.

Tá, mas por que o valor do frete pode ser diferente?

A integração lista valores e prazos com base nas dimensões e pesos fornecidos, no entanto erros podem acontecer. A compra de vários produtos pode resultar em uma soma errada de peso ou as dimensões da embalagem podem ser superiores às calculadas. Sem contar que por o lojista ainda não ter convênio com os Correios, o valor que predomina é o praticado no balcão.

E se cobrar um valor a mais do que o que os Correios informa?

É um risco muito alto. Nenhum cliente gostaria de saber que pagou R$25,00 de frete e ver na postagem que custou R$23,45 por exemplo. Eu já passei por isso e briguei feio com a loja. Ao final tive um cupom com a diferença.

 

Ok, mas vamos voltar ao pagamento, o frete é outra história.

Certo, mas os 8% com este gateway de pagamento podem ser bem pouco diferentes no outro, qual é a preocupação?

Em um cenário com poucas vendas, praticamente nenhuma, mas pense em uma diferença de 2 ou 3% em alguns milhares de reais… o negócio pode crescer rapidamente!

O quesito técnico nunca deve ser o único parâmetro

Quem vai pagar a conta é o seu cliente, logo a escolha do gateway de pagamento deve ser a que melhor se encaixe no seu modelo de negócio. Esqueça que o gateway X é mais fácil de integrar ou é mais famoso que o Y. Entenda que se o gateway Y é mais difícil de integrar, você terá de moldar seu orçamento com base na complexidade desta integração. Muitas vezes compensa o cliente pagar um pouco mais no desenvolvimento ou até mesmo pagar uma taxa de setup do gateway para que o dia a dia do seu negócio seja mais equilibrado.

Leve em consideração o público alvo

Se o lojista está vendendo para um público que tem pouca afinidade com a internet, compra pouco ou ainda com receio, talvez aquele gateway super famoso que está em todas as mídias seja a melhor opção. Isso porque muitos visitantes tendem a não finalizar a compra se não conhecem o meio de pagamento.

Se possível, checkout transparente

Desta forma, o cliente do seu lojista não será redirecionado a outra página e terá uma experiência muito mais agradável. Sem contar que você pode aumentar muito as chances de conversão por evitar saída do site.

E pra finalizar

Bem, era essa a mensagem que eu queria deixar aqui. Como desenvolvedores temos de ter a senioridade de entender que a programação é apenas uma das pontas de todo um negócio. Temos de fazer o possível para que ela não seja um impeditivo ao crescimento do mesmo. Por isso, em uma próxima sugestão de gateway de pagamento a um cliente seu, tente entender o seu negócio antes. Pergunte em que fase está, como é o fluxo de caixa, se já existir. Caso ainda não esteja monetizando como quer que seja logo que o site estiver pronto. Também procure saber as expectativas de crescimento e custos envolvidos na composição do preço do seu cliente. Nossa missão é criar soluções aos clientes, não problemas 😉