Illustration of a bird flying.

Mudança 2017 – #1


Mudança sempre é bem vinda não é mesmo? Ainda mais se ela nos ensina valiosas lições. Em Junho deste ano eu decidi que era hora de tentar coisas novas, sair de minha zona de conforto, me reinventar. Neste post relato a experiência que tive nos meus 2 últimos anos, porque e como mudei.

Um pouco da história

Abril, estava eu trabalhando de forma satisfatória em uma empresa que estava impulsionando uma startup, logo, estava eu trabalhando na startup em si. Após algumas rejeições que fiz no passado em outras startups (e elas aparentemente deram certo), decidi em 2015 que era o momento de eu tentar, acreditei que a minha hora chegara. Em Agosto daquele mesmo ano eu iniciei na empresa Four Itil Tecnologia, uma empresa até então focada em soluções B2B na área de TI. E o que eu estava fazendo lá? Eu estava junto dos 3 sócios com a missão criar uma startup de sucesso. Essa era a missão que eu tinha em mente, era assim que eu me cobrava e acredito que era isso que eles esperavam de mim. Não vou entrar nos pormenores desses quase dois anos, no entanto, em um pequeno resumo, aconteceram coisas boas e coisas ruins, como é comum em toda e qualquer empresa. Caso queira saber um pouco mais como foram estes quase 2 anos lá, leia este post meu no medium.

 

Como tudo começou a terminar

A minha saída começou a se anunciar em Abril de 2017 quando, após uma mudança drástica nos termos do Developer Program da Apple puseram em cima do muro tudo o que vínhamos desenvolvendo há quase 2 anos. A mudança era drástica mesmo, daquelas que impedia a startup de prosseguir. Em resumo,  startup criava aplicativos white label que era customizado e publicado por ela mesma nas lojas. No entanto os apps tinham toda a identidade visual e nome das concessionárias. Ok, a Apple, no dia 9 de Março de 2017, em seus novos termos de development agreement nos disse que não poderíamos continuar fazendo isso. Com isso tínhamos 2 alternativas: 1) Fazer com que o cliente crie sua conta developer e nos conceda acesso para publicação em seu nome ou 2) Mudarmos totalmente o projeto de 2 anos de desenvolvimento, fora o tempo de planejamento do mesmo.

A decisão

Chegamos a pensar em fazer a concessionária contratar o developer program da Apple mas quem já tem conta de developer na Apple como empresa sabe como é, a burocracia: O responsável legal pela empresa deve iniciar o processo, criar o D.U.N.S, imprimir os termos, assinar, escanear, enviar pra Apple, para após quase 2 semanas poder finalmente convidar os desenvolvedores para a conta para enfim podermos publicar na loja. Sem contar que todo esse processo foi custoso e complexo pra gente, imagina pra concessionária… Além de tudo tínhamos um segundo problema que feria os termos da Apple, saturar demais uma categoria: estávamos criando dezenas de Apps que essencialmente faziam a mesma coisa, só possuía o visual e o nome da concessionária, ou seja, em um dado momento, a Apple poderia simplesmente rejeitar novas publicações por já ter Apps demais fazendo a mesma coisa. E isso não é errado, concordo totalmente com a preocupação em qualidade nos Apps da Apple, mas um negócio todo desenvolvido desta forma teve de ser revisto. Aí nos restou a segunda opção: Mudar o negócio, na verdade, criar um novo negócio reaproveitando algumas linhas de código criadas nos últimos 2 anos.

Nota: Após minha saída da segunda empresa, que menciono no Mudança 2017 - #2, fui chamado pra trabalhar em uma empresa que fazia exatamente o que a startup Dimmi, da Four Itil, fazia com concessionárias, mas voltado ao cenário de igrejas evangélicas [Sistema prover]. Como eles resolveram o problema? Não resolveram! Simplesmente publicam os apps somente para Android… sem comentários. Ah, não fui trabalhar nesta empresa. Era muit na contramão, muito longe o local de trabalho e na época eles estavam mudando pra mais longe ainda.

Os dias que vieram

Pois bem, começamos a nos reinventar no entanto todas as reuniões infindáveis e que muitas vezes não nos levavam a nada foram me deixando cada vez menos animado de fazer parte daquilo. Já estávamos em Maio e nada ainda estava definido, os clientes já estavam ficando cansados da espera e eu de estar há mais de 1 mês indo para uma empresa somente para conversar, pois era raríssimo o dia que eu programava algo.

Nova oportunidade

Coincidentemente nesta mesma época um desenvolvedor que conheço me fez um convite para trabalhar na empresa onde ele era coordenador de desenvolvimento (o mesmo que eu fazia na Four Itil, só que com mais gente no time e numa empresa já consolidada em seu segmento). O cargo era para programador PHP Pleno. Visto tudo que eu estava passando na época eu decidi aceitar e isso é material para o post Mudança 2017 – #2.

O que ficou de bom desse período

Apesar de nos últimos meses eu estar muito desgastado de tantas conversas, reuniões, planejamento e por codar muito pouco, a experiência que tive na Four Itil foi muito boa, tanto no âmbito profissional como no pessoal e destaco os principais pontos positivos.

Flexibilidade, sua linda!

A empresa me contratou como PJ e eu nunca me senti tão bem com relação à liberdade trabalhando em uma empresa como me senti na Four Itil. Eu conseguia trabalhar e viver ao mesmo tempo, mesmo estando em uma startup que tem milhares de demandas. Nunca fui cobrado por um dia não estar na empresa pois simplesmente, meu rendimento era medido em entregas e não em estar no recinto em horário comercial. Sim, claro, sempre tem excessões como reunião com clientes, implantação ou mesmo uma reunião de brainstorming.

Um pouco sobre liderança

Eu sempre fui muito técnico, daqueles de receber uma demanda e sair fazendo, quase ao extremo de praticar XGH (Extreme Go Horse). Comigo o negócio era programar, não planejar prazos, folgas, férias, cuidar de estagiários, tomar decisões técnicas e comerciais e estar à frente de uma equipe de desenvolvimento. Confesso que gostaria de ter me saído melhor neste quesito. Falo isso porque sempre que possível lá estava eu programando sem parar e deixando coisas burocráticas e necessárias dados momentos, de lado. Mesmo com essa força sempre me puxando para o desenvolvimento, eu consegui, nestes quase 2 anos, aprender muita coisa do que é estar à frente de um time, o que é responder por esse time, o que é mesmo contra a vontade do PO (Product Owner) fazer prevalecer o bem estar da equipe e também, o que é mesmo em contrariedade à toda equipe, tomar decisão que impacta na saúde da empresa. Foi uma experiência que com certeza me tornou melhor e a maior lição que aprendi é que nem tudo se resolve com tecnologia, ela é apenas o meio de se resolver um problema.

Família em primeiro lugar

Por mais que eu tenha sido criado em uma família da religião católica, não me considero um praticante, uma vez que nem lembro da última vez que pisei em uma igreja. Além disso, também não tenho nada contra religião alguma, acredito que cada qual deve se sentir bem com seu espírito e respeitar sempre o próximo. Falo isso porque o meu ex-chefe direto na Four Itil é pastor, outro dos sócios também é de igreja evangélica e mesmo que muitos falem mal disso (de serem evangélicos), os caras simplesmente me deram uma lição tremenda de moral e integridade para com a família.

No fim de 2016 meu filho nasceu após uma gestação de alto risco, com diversos sustos e muito medo de todo aquele desconhecido que era o fato de ser pai. Meu filho nasceu no início do mês de Outubro. Além dos 5 dias que toda e qualquer empresa que opera sob o regime CLT dá (lembrando que eu era contratado no regime PJ) a empresa me deu mais 15 dias pra poder cuidar do meu filho, que, devido à todo o histórico dos ultra-sons teve de ficar durante estes exatos 20 dias na UTI neonatal. Ou seja, no momento que eu mais precisava estar do lado de minha esposa e de meu filho na UTI neonatal, eu ESTAVA. Lembro-me das palavras deles: “Andre, teu filho e esposa em primeiro lugar, a gente se vira aqui”.

Eu já me orgulhava de ter perdido somente 2 das dezenas de ultra-sons, consultas e procedimentos que minha esposa passou durante a gestação por ser de risco. Agora conseguiria ficar nestes primeiros dias de vida do meu pequeno ao lado dele e de minha esposa que se recuperava da cesárea. Não bastando tudo isso já, como a gestação de minha esposa foi considerada de risco e no último mês passou pra alto risco, optamos pela disponibilidade do obstetra. Isso porque ele a acompanhou desde o início e sabia tudo que se passava com meu filho e quais seriam os cuidados necessários para ele após o nascimento.

Obviamente que essa disponibilidade teve custo, e alto, uma vez que tira o médico de seu consultório e quebra toda a agenda para realizar um parto do outro lado da cidade em questão de minutos. Chamamos o médico e depois que meu filho já havia nascido eu estava feliz e preocupado ao mesmo tempo. Ele nasceu numa Sexta-Feira e o médico passaria na Segunda pra cobrar o valor da disponibilidade. Sei que alguns leitores falarão que não pode, que é contra a lei e tudo mais… mas eu não ligo, era a vida do meu filho e de minha esposa que estavam em jogo e me sinto muito bem tendo feito isso pois eles tiveram o melhor atendimento que eu pude proporcionar. Deixa eu já recusar qualquer ajuda de recuperar esse dinheiro. Meu filho e minha esposa estão bem, a dívida está paga!

Aí a quem recorrer? À empresa, claro. Eu já tinha o não, não custava tentar. Se não me adiantassem o montante necessário eu teria que correr de atrás de parentes e amigos. No fim não precisou, a empresa me atendeu de imediato transferindo o valor exato necessário para a minha conta e ainda de quebra me cobrou em 5 vezes não desestabilizando minha situação financeira.

Trabalhando lá eu aprendi o significado de família em primeiro lugar. Eles nem quiseram saber como eu pagaria e nem ligaram por eu ficar 20 dias de licença paternidade em um momento tão importante para a empresa. Naqueles 20 dias muitas coisas boas acabaram se definindo, clientes assinando contratos e implantações ocorrendo, mesmo sem eu estar lá liderando toda a equipe. Eles apenas me deixaram estar com minha família, ser pai, deixaram a própria empresa de lado pra poder me ajudar. Coisa que não vi na empresa que fui assim que saí da Four Itil e falo no próximo post.

A saída

Saí da Four Itil por ideais, não briguei com ninguém, não brigaram comigo, eu apenas sai porque já não me sentia parte do time, não estava com o mesmo ânimo que os sócios em recomeçar depois de 2 anos e algumas centenas de milhares de reais investidos (os donos, claro, não eu). E isso tudo me leva à Mudança 2017 – #2. Aguardo você lá!

Ps. Quer saber o por quê da imagem nebulosa no início do post? Porque eu estava em um lugar bom porém desanimado, tive uma promessa muito boa mas chegando lá o tempo começou a fechar… você entenderá em: Mudança 2017 - #2