Illustration of a bird flying.

Vantagens do Home-Office


Tempos atrás escrevi sobre os desafios do home-office e após um tempo trabalhando desta forma venho falar sobre o lado bom. Este não é um post dizer que o home-office é maravilhoso como dizem muitos textos por aí, é o relato de uma experiência de 6 meses. Como máxima já deixo uma dica: Home-office pode não ser para você.

Flexibilidade

No post que escrevi menciono que tenho uma certa complexidade pra trabalhar por ser casado e pai. Isso me faz alternar momentos de trabalho com tarefas domésticas e meu horarário é extremamente flexível. Como minha esposa tem um horário de trabalho horrível, a empresa freta uma van pra entregar os funcionários que saem após as 23h. Com isso ela sempre chega por volta de 1h da manhã (triste né, ainda mais pra uma mãe…). Durante toda a manhã estou disponível para conversar com clientes, marcar reuniões fora do escritório e prospectar novos clientes.

Por volta das 13h eu paro pra almoçar e ajeitar uma ou outra coisa. Quando minha esposa vai para o trabalho eu volto pro escritório até 18h. Neste horário eu saio para buscar o pequeno no berçário.

À noite é meu filho quem define quando eu vou poder trabalhar. Às vezes ele dorme 21h e outras está “elétrico” e dorme passado das 23h. À noite definitivamente não é possível contar comigo pra nada, sou do meu filho.

Não me vejo mais trabalhando sem flexibilidade

Venho recebendo propostas de trabalho constantemente e toda vez tenho que explicar minha necessidade de flexibilidade, até mesmo pela questão de saúde do meu pequeno, que não vem ao caso aqui. Na última proposta que recebi, o dono da startup me perguntou quão complexa era minha necessidade. Levei quase 3h formulando um e-mail com todas as informações bem detalhadas, screenshots da minha agenda e tudo mais. Enviei e como sempre, li e reli uma porção de vezes. Foi aí que percebi: acho que não sirvo mais para trabalhar no regime CLT tradicional. A menos que a empresa me permita trabalhar em horários pouco convencionais e, na maioria das vezes, de casa. Pegando todos os pontos que mencionei no email para o rapaz que queria me contratar eu cheguei à conclusão de que minha vida agora é com minha empresa ou como prestador PJ.

O que eu quero dizer com isso? Quero dizer que após 6 meses trabalhando em consegui entender que preciso desta flexibilidade e gosto desses horários malucos. Algumas vezes durmo no mesmo horário que meu filho e acordo por 2 ou 3 da madrugada pra trabalhar. O resultado, apesar de um sono colossal na noite seguinte, normalmente é excelente pois não tem barulho, com meu filho e esposa dormindo não existem interrupções e consigo foco total.

Redução de custos

Como todo e qualquer artigo que fale sobre o tema, a redução de custos é real, assino em baixo! Nos últimos trabalhos que tive minha locomoção era resumida da seguinte forma: de casa pro berçário do bebê, do berçário pro trabalho, do trabalho pro berçário e do berçário pra casa. Em um dos trabalhos eu ainda pagava estacionamento, R$100,00 mensais. Então vamos à conta.

Casa → Berçário = 2km

Berçário → Trabalho = 8km

Trabalho → Berçário = 7km (a volta era mais curta mesmo)

Berçário → Casa = 2km

Total: 19km

19km fazendo o exato percurso, e sabemos que isso é uma utopia. Diversos compromissos como consultas do meu filho, reuniões em clientes, entre outros faziam eu percorrer uma média de 35km/dia.

Levando em consideração que meu carro faz 11.2km/L, eu gastava em média 3.1L dia. Em valores atuais, seriam R$12,36 ao dia, 5 dias por semana, 22 dias por mês. Isso custava todos os meses, somente com combustível, aproximadamente R$272,00. Sem contar estacionamento e alimentação onde eu gastava R$100,00 e +- R$300,00 respectivamente.

Em resumo, quando eu trabalhava fora de casa gastava em média R$672,00 todos os meses.

Como é o custo hoje

A rotina com meu filho é a mesma, berçário, consultas e exames, nada de diferente. De vez em quando também rola uma carona pra esposa atrasada para o trabalho. Com isso gasto cerca de R$150,00 com combustível, 0 (zero) com estacionamento e 0(zero) com almoços fora de casa. Ou seja, uma economia de pouco mais de R$500,00. Bom não é mesmo?!

Contas divididas

Desde 2015 que sou PJ, iniciei como MEI, mesmo não existindo atividade permitida para desenvolvimento, e agora estou me desenquadrando. Sei que existirão impostos sobre cada nota que gero e que terei de pagar contador(a), estou ciente de tudo isso. Fiz isso para chegar mais longe, uma vez que como MEI já tive contratempos no fim do ano passado. Mas enfim, o foco não é esse, apenas quis deixar claro que sou PJ e trabalho em casa, logo encaro meu escritório como sendo responsabilidade da empresa.

Isso me fez dividir as contas: Aluguel, condomínio, luz e internet são pagos metade pela empresa e metade por mim. Isso possibilitou que aos poucos eu cuidasse de todo o dinheiro da empresa como sendo da empresa mesmo, não misturar com o pessoal. Óbvio, esse caminho não é simples mas estou pouco a pouco conseguindo tratar as entradas da empresa de forma distinta dos meus ganhos. Fiz isso estipulando um salário para mim. Todo mês eu sei que preciso de um valor X para sobreviver, e este é o meu salário. Se a empresa fatura mais que isso, ótimo, eu guardo, invisto em cursos, deixo um tanto para fluxo de caixa e um pouquinho todos os meses coloco no tesouro direto para garantir o futuro do meu pequeno.

Ainda não consegui separar completamente as coisas, mas estou bem perto disso e acho que essa é uma dica válida para quem pretende trabalhar em home-office também. Você é uma empresa, separe os compromissos da mesma dos compromissos pessoais.

Mais tempo com a família

Sei que parece clichê e que você já leu isso em um monte de lugar, mas isso é real. Antes de trabalhar em casa eu já conhecia muito meu filho, suas manhas, suas limitações e capacidades. Mas trabalhando em casa eu o vejo evoluir, dia após dia. Quando comecei ele tinha apenas 10 meses, hoje está com 1 ano e 4 meses e eu digo com muito orgulho que sei exatamente do que meu filho gosta, do que ele não gosta, de tudo que acontece com ele, seja bom ou ruim e de cada micro vitória diária. Quem é pai ou mãe entende que nesta fase da criança, todo dia existem micro vitórias, seja uma coisa nova que aprende, um gesto novo que faz e mesmo uma nova manha.

Fico feliz em ter tomado essa decisão de sair do último emprego, que menciono aqui, para poder ser pai, ver meu filho crescer e evoluir todos os dias. Li em algum lugar que agora não recordo, que é na primeira infância, até cerca dos 7 ou 8 anos, que todo o caráter do ser humano é formado e, se estimuladas coisas boas, se pai e mãe muito atenciosos e presentes, o futuro da criança tende a ser muito bom. Isso que venho buscando, fazer o meu melhor.

Trabalho como quero

Aí tá uma coisa que eu falo de diferente de muitos artigos. É comum encontrar textos dizendo que tem que sempre estar preparado(a) para uma possível reunião ou visita de cliente. Não! Pelo menos no meu caso.

Nenhuma reunião é feita às pressas: Tenho meu tempo de desenvolvimento e meus compromissos como marido e pai. Se o cliente precisa de urgência, o máximo que posso fazer é pedir um momento para que conversemos. Neste tempo eu me arrumo, informo minha esposa, para que não haja interrupção no momento, se tiver alguma bagunça eu dou um jeito e deixo tudo preparado para caso o cliente queira que eu abra a webcam. Não recebo clientes no meu escritório por dois motivos:

  1. Meu apartamento é pequeno e meu escritório está localizado bem no meio do mesmo, entre o quarto principal e sala, cozinha e área de serviço, além de que
  2. Mudamos há poucos meses de um sobrado muito grande, logo muitas coisas ainda estão acumuladas em caixas no meu escritório e na sala, estamos arrumando aos poucos. É difícil organizar tudo que cabia em mais de 150m² em apenas 80m²…

Se preciso sair, naturalmente já tenho que organizar algumas coisas, colocar uma roupa adequada é só mais uma delas.

Isso quer dizer que…

Eu sempre trabalho bem à vontade. Não fico derretendo de calça jeans, camisa arrumadinha e sapato só porque o artigo do fulano diz que isso é o correto. Fico à vontade mesmo: Bermuda, chinelo, muitas vezes sem camisa e com uma cervejinha na mesa de trabalho. Tentei trabalhar como se sempre estivesse esperando algum cliente e foi péssimo. Curitiba é uma cidade louca, uma hora você gela de frio e momentos depois está derrentendo de calor e como não possuo ar condicionado, enfrentar essas mudanças loucas de clima é difícil. Por mais de um mês eu trabalhei assim e minha produtividade baixou muito. Eu gastava mais tempo me preocupando em como enfrentar o calor do que programando de fato.

Concluindo

Não escrevi este post pensando em ser só mais um que fala de termos manjados e repetidos. Escrevi com base no que aconteceu e vem acontecendo comigo desde que comecei a trabalhar em home-office. Isso para que você saiba que o que o sebrae, endeavor e tantos outros falam é apenas sobre o cenário ideal, no entanto cada caso é único. Exemplo disso que sequer mencionei sobre questões como “definição do próprio horário de trabalho” e “auto-gerenciamento profissional”, justamente porque isso é o mínimo que ocorre quando se trabalha desta forma. Quis expor meu dia a dia, assim como já expus minhas dificuldades (algumas delas ainda tenho), também apresentar os pontos bons de se trabalhar em home-office.

Não quero que encare este texto como uma verdade para a sua realidade, ela é diferente da minha. O que é bom para mim pode ser ruim para você. Identifique as dificuldades e como corrigí-las que com certeza em poucos meses já estará elencando os pontos positivos 😉